Psicologia e Comportamento

Relacionamento: quando é pra ser, um não larga e o outro não desiste

Mais do que sentir o amor, é preciso viver, respirar e trabalhar o amor, lutar por ele, levando-o conosco aqui dentro, aonde formos, com quem estivermos, aceitando-o em todas as dores e alegrias de que se constituem as jornadas afetivas que construirão nossas histórias de vida.

Nada vem fácil, nada se consegue parado, tudo o que se conquista requer suor, dor, entrega e muita luta. É assim com coisas, é assim com pessoas e não poderia deixar de ser assim com o amor. A gente se apaixona, a gente acelera o coração e se joga e mergulha fundo. Daí vem o tempo – ah o tempo -, varrendo as ilusões e nos colocando frente a frente com a verdade do que ainda é e do que não mais é.

Todos os relacionamentos atravessam grandes tormentas, escuridões e dissabores, antes de se fortalecerem e se firmarem como verdadeiros. Não existem certezas absolutas, pois não existe o que não possa ser atravessado pela dúvida, pelo incerto, por questionamentos e por novas perspectivas. O dia-a-dia tende a tornar a convivência menos surpreendente, esfriando o calor que motiva os encontros que abrem sorrisos e roubam arrepios.

É preciso, pois, reinventar-se, adquirir novos olhares sobre o que já pensamos conhecer, mas sempre poderá nos trazer novas surpresas. As pessoas são múltiplas, têm muito dentro de si a doar e é isso que nos salvará da monotonia afetiva. Por essa razão é que não existe amor tranquilo que não seja entremeado por vendavais, reviravoltas, contendas, ou então não se renova.

O amor é fogo que varre, vento que leva e traz de volta, chuva que limpa e clareia, desanuvia, brilho que esclarece. Por essa razão é que os casais constroem as suas histórias por meio de momentos únicos e especiais, que incluem rompimentos demorados, desconfianças descabidas, distância forçada, noites em claro, insegurança, medo, lágrimas pesadas. E por essa razão é que os reencontros se tornam ainda mais grandiosos, pois a aventura amorosa tece a história de cada um de nós, que fica cada vez mais forte e verdadeira.

Mais do que sentir o amor, é preciso viver, respirar e trabalhar o amor, lutar por ele, levando-o conosco aqui dentro, aonde formos, com quem estivermos, aceitando-o em todas as dores e alegrias de que se constituem as jornadas afetivas que construirão nossas histórias de vida. Sempre será prazeroso podermos reviver tudo o que passamos junto a quem compartilhamos o nosso melhor e o nosso pior, pois é essa memória afetiva que nos sustentará quando estivermos terminando nossa jornada.

Nosso legado mais precioso ao mundo sempre será o que fomos enquanto amávamos com transparência e verdade. Nossos queridos merecem herdar e a eternidade merece receber o nosso amor. Amemos, enfim.

Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.

Recent Posts

“Pais que sabem que aprendizagem não é distração, não permitem que a internet se torne brinquedo de criança”

Vivemos na era digital, um tempo em que a informação está ao alcance de um…

1 dia ago

11 sinais de que seu relacionamento pode estar te causando depressão, segundo estudos

Relacionamentos são fontes de alegria, apoio e cumplicidade, mas quando um relacionamento se torna tóxico,…

6 dias ago

A Terapia Cognitivo-Comportamental: Um Caminho de Esperança para a Depressão e Ansiedade – Aaron T. Beck

Se você está lendo isso, talvez esteja buscando respostas, talvez esteja sentindo o peso invisível…

3 semanas ago

10 Razões Pelas Quais a Violência Contra a Mulher Ainda é um Problema Estrutural

As questões da violência contra a mulher, a culpabilização da vítima,  a impunidade do agressor,…

3 semanas ago

8 de março: violência e o menosprezo pela condição feminina ainda precisam ser superados

O não reconhecimento da gravidade das violências contra as mulheres, corrobora para que a situação…

3 semanas ago

Pais que não disciplinam os filhos terão que sustentá-los a vida toda – Içami Tiba

Içami Tiba foi um médico psiquiatra, colunista, escritor de livros sobre Educação, familiar e escolar,…

4 semanas ago