Segundo o psiquiatra norte-americano, Stuart Brown, “o oposto da brincadeira, para a criança, não é trabalhar, é depressão. A brincadeira está programada no nosso cérebro desde a nossa concepção e até os animais brincam. Ela é uma ferramenta de sobrevivência necessária para o pleno desenvolvimento de nossas competências psico-socio-emocionais. A sua falta tem consequências desastrosas à saúde mental e física da criança. A ciência tem comprovado a sua necessidade. De fato, brincar não é uma atividade, mas um estado de espírito que não devemos desistir na idade adulta”.
Stuart Brown, dedicou os últimos 45 anos aos estudos teóricos científicos e práticos sobre a necessidade do brincar livremente na infância. Ele começou a estudar a brincadeira depois de investigar homicídios em massa e descobriu um ponto em comum entre os assassinos: eles brincaram muito pouco quando eram crianças.
Um dos primeiros casos que analisou foi o massacre da Universidade do Texas, em 1966, em que Charles Whitman, estudante universitário, foi responsável pela morte de 16 pessoas. À época, Brown trabalhava no Baylor, Colégio de Medicina e liderou uma coleta de dados sobre a vida de Whitman para documentar o processo, a pedido do governador do Texas. Além do stress a que estava sujeito, a infância de abusos num ambiente “tirano” em que cresceu, foi uma das constatações da equipe. Um vizinho contou, por exemplo, que Charles não tinha autorização para brincar na rua, não podia subir às árvores, nem levar amigos a casa.
A privação do brincar livremente veio a ser declarada oficialmente como um dos fatores de risco para o crime. Depois deste, foram inúmeros outros casos que levaram o psiquiatra a traçar um denominador em comum: a falta de brincar livremente enquanto criança, sobretudo nos primeiros dez anos de vida, é um fator de risco para comportamentos antissociais, violentos e autodestrutivos.
O especialista ressalta os exemplos de como os animais também brincam e os que não brincam se tornam menos “inteligentes” e instintivos. A brincadeira está programada no cérebro dos humanos, e dos animais, como uma ferramenta de sobrevivência e ela é necessária para que desenvolvam plenamente as competências e faculdades integrais de seu desenvolvimento cognitivo e psicossociais.
A falta do brincar na infância pode ter consequências desastrosas na vida da criança, a curto e a longo prazo. A prática clínica e a ciência dialogam conjuntamente para mostrarem a importância e a necessidade, não apenas da criança brincar sozinha, mas especialmente, brincar com outras crianças e com os seus pais/mães: “Os adultos precisam ser capazes de brincar com os filhos para que os eles também brinquem”, diz o doutor Brown.
À medida que interagem com os pais e outras pessoas, as crianças aprendem como as pessoas se comportam em ambientes sociais. Eles também aprendem o que é aceitável seguindo suas dicas. Além disso, a investigação relacionou o brincar de faz-de-conta e as brincadeiras físicas, entre pais e filhos, ao desenvolvimento de competências específicas, incluindo:
Além disso, enquanto as crianças desenvolvem muitas das habilidades acima brincando, os pais podem lhes apresentar variadas brincadeiras adequadas a cada idade. Como os adultos sabem mais sobre o mundo, as crianças adoram brincar com eles, pois fazem perguntas e com isso despertar na criança o desejo de criar novas brincadeiras.
A tecnologia veio para ficar e não há como fugir dela. Entretanto o Transtorno de Dependência de Telas é real e tem trazido muitos prejuízos à saúde física e psicoemocional das crianças. Sabemos que todo excesso é prejudicial e ainda mais num cérebro em franco desenvolvimento como é o cérebro da criança. Entretanto, se houver um adulto monitorando o tempo de uso e o conteúdo, os jogos virtuais podem trazer grandes benefícios cognitivos à criança. Por outro lado, o tempo de tela jamais deverá ser maior do que o tempo dedicado ao brincar livremente: sozinha, com colegas e com os pais.
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