Saúde e Bem Estar

Ansiedade: os sintomas são intensos e reais, mas na hora do exame desaparecem

O doutor Drauzio Varella, na série “Parada Obrigatória: vencendo a ansiedade”,  no Fantástico, trouxe à lume informações pertinentes acerca da saúde mental dos brasileiros, especialmente à ansiedade patológica que atingiu quase 19 milhões de pessoas no país.  Nós do Portal Raízes, fizemos a transcrição de alguns trechos da fala do doutor Dráuzio Varella. Confira:

Da sensação de morte

“É hora de dormir. O seu dia transcorreu normalmente, ao deitar a cabeça no travesseiro, a sensação deveria ser esta: ‘não há motivo algum para grandes preocupações’. Mas você que não tem nada, acorda no meio da madrugada, o coração dispara, vem o medo de algo pior, fulminante. E você acha que vai morrer nessa hora”.

Como saber se ansiedade é normal ou patológica

“Todo mundo sabe o que é estar ansioso. A ansiedade normal costuma anteceder eventos importantes: uma prova difícil, uma entrevista de emprego, uma viagem…No nosso cérebro há circuito de neurônios que dão ordens para disparar substância químicas nessa hora, a adrenalina é um exemplo, para que nós fiquemos em estado de alerta, preparados para enfrentar a situação adversa. A ansiedade vira patológica quando esse sistema é ativado de forma frequente. Intensa e desproporcional. Inclusive em ocasiões banais”.

“Os sintomas são intensos e reais, mas na hora do exame não estão mais lá. Essa dificuldade em descobrir o que está realmente acontecendo, atrasa a busca por tratamento e o problema só cresce. Desde 2017, o nosso país tem os maiores índices de pessoas com transtorno de ansiedade no mundo todo. Já eram quase 19 milhões de brasileiros (em 2017)com a qualidade de vida comprometida (Segundo a OMS)”. Os sintomas da ansiedade, são: dor no peito, falta de ar, taquicardia, mãos suando, respiração ofegante.

Estamos cada dia mais ansiosos

Há, é claro, a ansiedade normal e necessária. É aquela ansiedade que faz a gente sair da zona de conforto e inventar a roda. Mas estamos cada dia mais ansiosos e não estamos sabendo lidar com isso. Logo a ansiedade normal, superestimada, vira patologia. Podemos culpabilizar, primeiramente, as ferramentas psíquicas que não evoluem na mesma proporção que a tecnologia.

Tudo está cada vez mais acelerado e com isso desejamos que as coisas aconteçam num passe de mágica. E se a gente não tiver o respeito necessário com o nosso corpo, se a gente o sobrecarrega como se ele fosse também uma máquina e hiper-estimulamos a nossa mente com aqueles áudios acelerados, GPS, corretor ortográfico, ida a padaria de carro ao invés de a pé, ultrapassagens perigosas… é obvio que nossas ferramentas psíquicas vão colapsar em ansiedade.

“O Ministério da Saúde vem conduzindo uma pesquisa para avaliar a saúde mental dos brasileiros. A primeira etapa foi nos meses de abril e maio. Mais de 17 mil pessoas em todo país participaram do estudo. O resultado mais alarmante, 86,5 dos entrevistados estavam enquadrados em algum tipo de ansiedade patológica”.

Entre os transtornos mentais, a ansiedade é terceira causa de afastamento das pessoas do trabalho no Brasil, ficando atrás apenas de Reações ao Estresse Grave e Depressão Grave. (Fonte INSS).

Tratamento:

Nos casos de ansiedade normal, a psicoterapia é extremamente importante. Há vários tipos de ansiedade, e o mais comum é Ansiedade Generalizada, ocorre com as pessoas que se dizem estressadas, que transformam qualquer novidade num abismo de preocupações. O psicoterapeuta, ao observar se a ansiedade passou de normal para patológica e vê a necessidade de medicação, poderá encaminhar o paciente para um psiquiatra.

Leia mais sobre este assunto:

Portal Raízes

As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.

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